quinta-feira, 29 de março de 2007

Artista Plástico Brasileiro - Hélio Oiticica

Homage to Mondrian

Nos Estados Unidos, no Museum of Fine Arts de Houston, Texas, está havendo uma retrospectiva do trabalho do artista plástico brasileiro Hélio Oiticica. A exposição, que se chama Body of Color, retrata os primeiros trabalhos feitos por ele, quando ainda explorava os conceitos do modernismo.

Metaesquema no. 348/1958

Por que falar do Hélio dentro de um contexto fotográfico? Como qualquer outro processo de criação artística, saber um pouco do desenvolvimento da história da arte e dos processos pela qual ele se encontra faz um fotógrafo parar para pensar e talvez influenciar no modo como ele irá fazer sua próxima foto. Oiticica fez parte de dois grupos importantes na arte brasileira: o Grupo Frente, junto com Lygia Clark e Lygia Pape e o Grupo Neoconcreto, que ajudou a fundar. Esses dois grupos discutiram muito as noções da arte abstrata (forma de arte que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira "não representacional") e do neoconcretismo (sem implicar uma arte figurativa, nasce também como oposição à arte abstrata, que pode trazer vestígios simbólicos devido à sua origem na abstração da representação do mundo. Linha, ponto, cor e plano não figuram nada e são o que há de mais concreto numa pintura. A arte concreta é herdeira das pesquisas do grupo De Stijl [O Estilo], 1917/1928, de Piet Mondrian (1872 - 1944) e Van Doesburg, que busca a pureza e o rigor formal na ordem harmônica do universo. Além disso, parte de ideais da Bauhaus (1919-1933) nos quais a racionalidade deve estar presente em todos os âmbitos sociais e as conquistas da arte democratizadas pela indústria. A matemática é o meio mais eficiente para o conhecimento da realidade objetiva e uma obra plástica deve ser ordenada pela geometria e pela clareza da forma).

O trabalho de Hélio, então, é um estudo de cor e forma, mas também da sociedade, de um ponto de vista racional. Entre suas obras, uma que se destaca é Tropicália (1967), um jardim com passáros vivos entre plantas, lado a lado com poemas-objetos, cuja obra foi usada como referência de nome e de princípios para o movimento artístico dos anos 70 de Caetano Velloso e cia.

Tropicália/1967

segunda-feira, 19 de março de 2007

Fotografia Contemporânea: Andreas Gursky


Andreas Gursky/99 Cent II Dyptichon, 2001

Você consegue imaginar que essa foto acima, que retrata uma loja que vende produtos de 99 centavos, foi vendida num leilão por 2,48 milhões de dólares? Antes de você ficar revoltado com as injustiças do mercado capitalista, é interessante observar a obra deste que é um dos maiores fotógrafos contemporâneos no mundo hoje.

Andreas Gursky é um fotógrafo alemão que estudou junto com o casal Hilla e Bernd Becher, na escola Düsseldorf Art Academy. Hilla e Bernd são um dos mais influentes artistas dos últimos 50 anos. Eles faziam uso da foto de arquitetura para registrar a herança visual da máquina industrial que estabeleceu os alicerces da nossa sociedade. As fotos, feitas sistematicamente com a mesma composição e estética, são colocadas lado a lado para um estudo comparativo da arquitetura funcional.

Gursky, usando a mesma técnica de riqueza de informação visual, chegando ao excessivo, começou a analisar a sociedade com o mesmo olhar comparativo, só que em vez da arquitetura industrial, suas fotos se voltaram mais para comportamentos sociais, referências da cultura do consumo, da mídia em massa. O valor da foto vendida, no final, se torna uma ironia e mais uma razão do estudo visual da nossa sociedade.
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Se quiser ver mais trabalhos de Gursky, clique aqui ou aqui.
Para ver trabalhos de Hilla e Bernd Becher, clique aqui.

Competição Internacional de Fotografia



Para quem acha que tirou uma foto digna de prêmio este ano, comecem a se organizar e mandem suas imagens para a maior competição de fotografia do mundo, a International Photography Awards. Existem várias categorias profissionais e não-profissionais, então vale a pena vocês checarem os trabalhos vencedores dos anos passados para saber para quais categorias devem se inscrever. Por mais que o prazo de entrega das fotos seja até o dia 31 de maio, geralmente demora algumas semanas para quem manda as inscrições do Brasil. Quem tiver vontade de saber mais sobre a competição, clique aqui.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Estou de volta

Me desculpem por nao ter postado nada nestes ultimos 10 dias. Eu estive em Sao Paulo por uma semana e logo depois ja viajei de volta para Rochester, NY, onde minhas aulas recomecaram e eu tive que dedicar muito do meu tempo para reorganizar minha vida aqui. Agora ja estou mais tranquilo e pronto para voltar e trazer coisas legais para voces. Um abraco.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Jeff Koons e o uso de copyright

Num momento em que se discute muito sobre propriedade intelectual, um caso decidido no final de 2006 traz mais informações sobre como o poder judiciário tem analisado o uso de copyright.

História:





Art Rogers
Photograph:/Puppies/1980









Jeff Koons/Wood painted sculpture:/String of Puppies/1998




Jeff Koons, artista plástico americano, esteve envolvido nas maiores disputas sobre copyright e fair use do meio artístico. Em 1992, no caso Rogers v. Koons, Jeff usou uma foto de cartão postal como referência para uma escultura. Na decisão, onde Koons tentava se defender alegando o uso de paródia, os juízes deram causa ao fotógrafo Art Rogers, dizendo que a obra de Koons mostrava "similaridade substancial". A similaridade era tão próxima que a pessoa comum reconheceria a cópia. Assi,, a escultura foi achada culpada de quebra do uso de copyright da foto de Rogers. No quesito de uso justo ("fair use"), a Corte rejeitou o argumento de paródia, dizendo que Koons poderia ter expressado a paródia dos cachorrinhos sem diretamente copiar a foto de Rogers. A obra de Koons não comentava diretamente sobre a foto em si, e sim sobre uma idéia geral onde não havia a necessidade da cópia.

Julgamento de 2006








Silk Sandals, Andrea Blanch








Niagara, Jeff Koons





No julgamento de 2006, Blanch v. Koons, Jeff ganhou seu primeiro processo no campo de infração de copyright. Numa apelação feita pelo artista, depois de ter perdido em primeira instância, a Corte decidiu que foi "fair use" para o artista criar uma colagem usando partes de uma fotografia feita por Andrea Blanch. A razão da mudança da decisão judicial se deve à uma mudança do judiciário sobre a forma de enxergar o uso de imagem no plano legal. Os juízes agora vêem a obra de Koons como "transformativa". A Corte aceitou a argumentação do artista de que o uso de fragmentos da foto se deu para criticar as mídias de massa.

A grande conclusão que se tira dessa história é que a Corte parece ter mudado sua base analítica sobre imagem da natureza da tranformação para o propósito pela qual o artista a fez. Isso parece dificultar saber se o uso do copyright foi justo ("fair use") sem primeiro perguntar ao fotográfo qual era o seu propósito quando criou a imagem. Porém, a Corte não teve problemas com o fato de que Koons nunca buscou permissão ou contactou a fotógrafa Blanch para saber o propósito pela qual fez a foto. Essa mudança de paradigma pode criar problemas futuros para os fotógrafos. Muitas imagens são criadas para um propósito limitado, como esportes ou publicidade, e qualquer um pode professar um propósito diferente do proprietário do copyright, o fotógrafo. Se uma capa de revista mostrando uma imagem de um esportista masculino for depois usado numa campanha para perfume feminino onde aquela imagem foi usada numa colagem irônica, o propósito é claramente diferente; o uso é justo ("fair use")? Esta mudança da análise judicial para o propósito da transformação no lugar da natureza da transformação pode trazer um ambiente legal perigoso entre os direitos exclusivos do proprietário do copyright e o direito ao uso justo ("fair use") do público. A mudança pode deixar os proprietários do copyright sem o direto de gerar e licenciar obras derivadas.

Para saber mais sobre Rogers v. Koons, clique aqui.
Para saber mais sobre Blanch v. Koons, clique aqui.
 
Creative Commons License
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